60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já
sofreram violência policial...Há cada 4 pessoas mortas pela
polícia, 3 são negras...Nas universidades brasileiras apenas 2%
dos alunos são negros...Há cada 4 horas um jovem negro morre
violentamente em São Paulo...Aqui quem fala é Primo Preto, mais
um sobrevivente!Intenção é ruim, esvazia o lugar.Eu tô em cima,
eu tô a fim, um - dois pra atirar.Eu sou bem pior do que você tá
vendo.O preto aqui não tem dó, é cem por cento veneno.A primeira
faz BUM, a segunda faz TÁ !Eu tenho uma missão, e não vou
parar.Meu estilo é pesado e faz tremer o chão,minha palavra vale
um tiro, eu tenho muito munição.Na quebra ou na ascenção, minha
atitude vai além.E tenho disposição pro mal e pro bem.Talvez eu
seja um sádico, um anjo, um mágico,juiz ou réu, um bandido do
céu.Malandro ou otário, padre sanguinário,franco atirador se for
necessário.Revolucionário, insano ou marginal.Antigo e moderno,
imortal.Fronteira do céu com o inferno astral,imprevisível como
um ataque cardíaco no verso.Violentamente pacífico, verídico,vim
pra sabotar seu raciocínio.Vim abalar o seu sistema nervoso e
sangüíneo.Pra mim ainda é pouco, dá cachorro louco,número 1 um
guia. Terrorista da periferia,uni-duni-tê, o que eu tenho pra
você:um rap venenoso ou uma rajada de PT?E a profecia se fez
como previsto:Um nove nove sete! Depois de Cristo.A fúria negra
ressuscita outra vez.Racionais, capítulo 4 - versículo
3.RefrãoFaz frio em São Paulo, pra mim tá sempre bom.Eu tô na
rua de bobeta e moletom.Dim, dim, don! RAP é o somseis mano no
opala marrom.E aí.... Chama o Guilherme, chama o Vane,chama o
Dinho. E o Gui? Marquinho,chama o Éder, vamo aí.Se os outros
manos vem, pela ordem tudo bem, melhor.Quem é quem no bilhar, no
dominó.Colô dois manos, um acenou pra mim.de jaco de cetim, tênis
calça jeans.Ei Brown, sai fora, nem vai, nem cola!Não vale a pena
dar idéia nesses tipo aí.Ontem à noite eu vi, na beira do
asfalto,tragando a morte, soprando a vida pro alto.Ó os cara, só
a pó, pele o osso,no fundo do poço, mais flagrante no bolso.Veja
bem, ninguém é mais que ninguém,veja bem, veja bem! E eles são
nosso irmãos também.Mas de cocaína e crack, whisky e conhaque,os
mano moe rapidinho, se não vai acreita.Mas quem sou eu pra falar
de quem cheira ou quem fuma?nem dá! Nunca te dei porra
nenhuma.Você fuma o que tem, entope o nariz,bebe tudo o que vê,
faça o diabo feliz!Você vai terminar tipo o outro mano lá,que
era um preto tipo A e nem entrava numa.Mó estilo, de calça
Kalvin Clain, tênis Puma.Um jeito humilde de ser, no trampo e no
rolê.Curtia um funk, jogava uma bola,buscava a preta dele no
portão da escola.Mó exemplo pra nós, mó moral, mó ibope.Mas
começou colar com os branquinhos do shopping!Aí já era..... Ih,
mano, outra vida, outro pique.E só mina de elite, balada, vários
drink.Puta de butique, toda aquela porra.Sexo sem limite, sodoma
e gomorra.Faz uns nove anos,tem uns quinze dias atrás eu vi o
mano.Cê tem que vêpedindo cigarro pro tiozinho no ponto,dente
tudo zoado, bolso sem nenhum conto.O cara cheira mal, azia senti
mesmo,muito louco de sei lá o quê, logo cedo!Agora não oferece
mais perigo.Viciado, doente, fudido. Inofensivo.Um dia um PM
negro veio me embaça,e disse pra eu me por no meu lugar.Eu vejo
um mano nessas condições......... não dá!Será assim que eu
deveria estar?Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor,pelo
rádio, jornal, revista e outdoor.Te oferece dinheiro, conversa
com calma,contamina seu caráter, rouba sua alma.Depois te joga
na merda sozinho.Eu sou um preto tipo A, e não neguinho!Minha
palavra alivia sua dor,ilumina minha alma, louvado seja o meu
senhor.Que não deixa o mano aqui desandar, ah!E nem sentar o
dedo em nenhum pilantra.Mas que nenhum filha da puta ignore a
minha lei.Racionais, capítulo 4 - versículo 3.RefrãoQuatro
minutos se passaram e ninguém viuo monstro que nasceu em algum
lugar do Brasil.Talvez o mano que trampa de baixo de um carro
sujo de óleo,que enquadra o carro forte na febre, com sangue nos
olhos.O mano que entrega envelope o dia inteiro no sol,ou o que
vende chocolate de farol em farol.Talvez cara que defende pobre
no tribunal,ou que procura vida nova na condicional.Alguém num
quarto de madeira, lendo à luz de vela,ouvindo um rádio velho no
fundo de uma celaou da família real, e negro como eu
sou.........o príncipe guerreiro que defende o goooool.E eu não
mudo, mas eu não me iludo,os mano cú-de-burro têm, eu sei de
tudo.Em troca de dinheiro e um carro bomtem mano que rebola e
usa até batom.Vários partridos falam merda, pra todo mundo
rir....Ah, ah! Pra ver branquinho aplaudir.É, na sua área tem
fulano até pior,cada um cada um, você se sente só.Tem mano que
te aponta uma pistola e fala sério,explode sua cara por um toca
fita velho.Click! bláu, bláu, bláu e acabou. Sem dó e sem
dor,foda-se sua cor.Limpa o sangue com a camisa, e manda se
fuder.Você sabe por quê? Pra onde vai, pra que vai?De bar em
bar, esquina em esquina,pegar 50 conto, trocar por
cocaína.Enfim, o filme acabou pra você,a bala não é de festim,
aqui não tem duble.Vários manos da baixada fluminense à
Ceilândia,eu sei; as ruas não são como a Disneylândia.De
Guaianases ao extremo sul de Santo Amaro.Ser um preto tipo A
custa caro.É foda. Foda é assistir a propaganda e ver.Não dá pra
ver aquilo pra você.Playboy forgado de brinco, um trouxa.Roubado
dentro do carro na avenida Rebouças.Correntinha das moças,
madame de bolsa, a dinheiro.Não tive pai, não sou herdeiro.Se eu
fosse aquele cara que se humilha no sinal,por menos de um real,
minha chance era pouca.Mas se eu fosse aquele moleque de
tôca,que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca,de
quebrada, sem roupa, você e sua mina......um-dois, nem me viu.
Já sumi na neblina.Mas não. permaneço vivo, eu sigo a
mística.Vinte e sete anos, contrariando a estatística.Seu
comercial de TV não me engana.Eu não preciso de status, nem
fama.Seu carro e sua grana já não me seduze nem a sua puta de
olhos azuis.Eu sou apenas um rapaz latino-americanoapoiado por
mais de 50.000 mano.Efeito colateral que o seu sistema
fez!Racionais, capítulo 4 -versículo 3.